Parceria: Projeto POP Rua Cidadã é lançado em Goiânia com a presença da ministra dos Direitos Humanos

O Projeto POP Rua Cidadã foi lançado na Câmara Municipal de Goiânia, na tarde desta quarta-feira, 13, com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo. A iniciativa, que resulta de uma emenda parlamentar impositiva da vereadora Kátia Maria (PT), tem como objetivo promover uma abordagem mais qualificada e interligada para o atendimento da população em situação de rua na capital goiana.

A PUC é uma das parceiras do projeto, que conta também com a colaboração de outras instituições de ensino superior como a UFG e IFG. Representante da universidade no evento, a  pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da PUC, professora Priscila Valverde, destacou a importância do projeto, que será responsável pela capacitação de 160 profissionais envolvidos no atendimento à saúde da população em situação de rua.

“A PUC Goiás tem programas de extensão que há mais de 20 anos contribuem com a sociedade. O POP Rua Cidadã vem somar a esses esforços, com a capacitação de profissionais para atender essa população que precisa de tanto de apoio, principalmente na área da saúde”, afirmou a professora.

Ela ressaltou que, além de realizar o levantamento de dados, a capacitação será ampliada para incluir profissionais de outros serviços vinculados à saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). É importante pontuar que um montante de R$ 100 mil derivado da emenda foi destinado, especificamente, para as ações da PUC Goiás no projeto.

Condução 

A vereadora Kátia Maria, responsável pela emenda que possibilitou o projeto, falou sobre o processo de articulação iniciado em 2023, ano de sua chegada à Câmara. “Percebi o aumento da população em situação de rua em Goiânia e, ao elaborar o orçamento de 2023, destinei emendas para trabalhar em parceria com instituições como a PUC, UFG e IFG, que já desenvolvem abordagens sociais com esse público. Agora, em 2024, estamos avançando na estruturação de uma rede de apoio, com quase 1,5 milhão de reais destinados às ações que vão desde a capacitação até o fortalecimento dos serviços de saúde e assistência social”, explicou Kátia.

A vereadora também enfatizou a necessidade de realização de um censo atualizado da população de rua, o que ainda é uma lacuna em Goiânia, e afirmou que as emendas têm como foco a construção de uma rede integrada, com o objetivo de garantir um atendimento mais eficiente e humanizado. Vale ressaltar que o projeto visa apenas não a assistência imediata, mas também a criação de uma rede de apoio permanente, com a colaboração entre diferentes esferas de governo e instituições de ensino, como a PUC Goiás, que assume um papel fundamental na capacitação dos profissionais envolvidos.

Segundo a parlamentar, as emendas também permitirão melhorias nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), como a aquisição de veículos e equipamentos tecnológicos que facilitem o registro e o acompanhamento das pessoas atendidas.

Apoio do governo federal 

A ministra Macaé Evaristo destacou a importância de iniciativas como o POP Rua Cidadã para o avanço das políticas públicas voltadas à população em situação de rua. Ela ressaltou que, embora o Brasil tenha avançado com a criação de pontos de apoio e a implementação de políticas de moradia, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados, como a ausência de um censo mais detalhado sobre essa população.

“A população de rua aumentou muito nos últimos anos, especialmente após a pandemia, e há um grande desafio de acolhimento e acesso a direitos básicos como água, banheiro e documentação. É importante que os municípios, como Goiânia, se unam para implementar políticas integradas de saúde, assistência social e habitação, porque moradia é um direito fundamental”, afirmou.

Macaé informou que o Ministério tem  trabalhado com a iniciativa Ruas Visíveis com a finalidade de dialogar diretamente com os municípios para garantir direitos humanos básicos a essa população, como acesso a água, higiene, documentação e destinação de moradias.

A ministra ainda ressaltou a necessidade de dados mais precisos sobre a população em situação de rua para a elaboração de políticas mais efetivas. “Os dados do Ipea estimam cerca de 300 mil pessoas nessa condição, mas sabemos que o número pode ser maior. Temos dialogado com o IBGE para um censo mais qualificado, essencial para direcionar investimentos adequados e reverter essa situação”, concluiu.

Fotos: Weslley Cruz